Não fume
Histórico

Estima-se que o surgimento do tabaco tenha ocorrido aproximadamente no ano 1000 a.C; em rituais mágicos-religiosos, na América Central. No século XVI seu uso era introduzido na Europa com fins curativos. No século seguinte foi difundido por toda a África e Ásia por suas qualidades medicinais.

No século XIX, iniciou-se o uso do charuto por toda Europa, Estados Unidos e demais continentes, para relaxamento e tratamento de dores de cabeça e náusea. Relatos de homens e mulheres fumando cigarros como nos dias de hoje surgiram somente por volta de 1840 a 1850, com uma grande expansão deste hábito depois da Primeira Guerra Mundial.

Com a expansão dos meios de comunicação, no século XX, o cigarro tornou-se um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo. A publicidade e o marketing fizeram uma legião de consumidores fiéis, enriquecendo os grandes fabricantes até os dias de hoje.

Componentes

O tabaco é extraído da planta Nicotina tabacum. O cigarro é uma pequena porção de tabaco seco e picado, enrolado em papel fino. Sabe-se, hoje, que o tabaco possui mais de sete mil substâncias tóxicas diferentes. Quando a pessoa dá aquela tragada que lhe parece tão gostosa, esta fumaça, que penetra até o último de seus alvéolos está carregando pelo menos 2.500 substâncias tóxicas. Muitas dessas substâncias não se concentram no tabaco, são compostas e decompostas na boca do fumante. Listamos abaixo alguns componentes:

Acetona: utilizado como removedor de esmalte;

Tirebintina: utilizado para diluir tinta à óleo;

Formol: conservante de cadáver;

Amônia: desinfetante para pisos, azulejos e privadas;

Naftalina: eficiente mata-baratas;

Fósforo: P4/P6 usado em venenos para ratos;

Nicotina: substância que causa dependência;

Alcatrão: material articulado composto por substâncias como arsênico, níquel, benzopireno, capazes de provocar câncer;

Monóxido de Carbono: o mesmo que sai do cano de descarga do carro;

Substâncias radioativas: polônio 210 e carbono 14;

Metais pesados: como o cádmio e o cromo, encontrados em baterias de carro;

Agrotóxico: usados no cultivo das folhas de tabaco, como DDT;

Outros: substâncias irritantes dos olhos, nariz e garganta que diminuem a mobilidade dos cílios pulmonares, etc.

Dependência

A nicotina causa dependência por meio de processos biopsicossociais parecidos com os da cocaína, do álcool e da heroína. A dependência se caracteriza pela tolerância aos seus efeitos, pelo desejo intenso de fumar e pelos sintomas de abstinência.

O tabagismo, diante de outros vícios ou toxicomanias, é o causador de dependência que tem o ciclo mais rápido: a nicotina atinge o cérebro em menos de 10 segundos, mas seu efeito dura apenas 6 minutos. Essa queda rápida de concentração de nicotina é o que causa o desejo por um novo cigarro.

O cérebro do fumante tem maior número de receptores de nicotina que dependem dela para funcionar bem. Ao serem estimulados com a nicotina, esses receptores liberam substâncias que causam sensações de bem-estar e prazer.

O fumante acha que o cigarro preenche vazios internos; ajuda a lidar com o estresse e sentimentos positivos ou negativos; facilita a interação social e dá segurança.

O dependente sente uma necessidade compulsiva por cigarro e tem dificuldades de ficar horas sem fumar; acredita-se que 60% daqueles que fumam por mais de seis semanas continuarão a fumar por mais 30 anos.

Dependência física

Sem o cigarro o fumante apresenta nervosismo, tontura, dor de cabeça, falta de concentração, etc. Sintomas físicos que acabam após fumar.

Dependência psíquica

Usam o cigarro para alivio de tensões emocionais tais como: angústia, sensação de vazio, depressão, ansiedade, medo, estresse.

Condicionamento e hábito

São as associações que o fumante faz no dia a dia após ou durante o uso do cigarro: tomar café, ingerir bebidas alcoólicas, falar ao telefone, digitar no computador, alimentar-se, entre outras.

Porque parar de fumar?

O cigarro é hoje campeão de mortes no mundo. Por ano, cerca de 3,5 milhões de pessoas morrem por doenças relacionadas ao fumo. Esse número ultrapassa a soma de mortes como: AIDS, violência, acidentes de trânsito, incêndios e suicídios. Podemos concluir então, que parar de fumar não se trata de uma opção, mas sim de uma necessidade urgente. É impossível combinar uma vida saudável ao hábito de fumar.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que entre 2020 e 2030 serão 10 milhões de mortes a cada ano, decorrentes do vício relacionado ao fumo.

O fumante morre lentamente. Na maioria das vezes essa morte é muito dolorosa, causando muito desgaste e tristeza às pessoas que convivem com este doente na fase final de vida. São vítimas graves de enfisema pulmonar e câncer, por exemplo.

O cigarro causa ainda: menopausa precoce, abortos e partos prematuros, envelhecimento acelerado da pele (especialmente no rosto), impotência sexual, bronquite, asma, sinusite, problemas cardíacos, úlcera no estômago entre outras doenças associadas ao fumo. O risco de doenças causadas pelo cigarro aumenta aliado a uma vida sedentária, excesso de peso e hábitos alimentares inadequados.

Fumantes Passivos

Como se não bastasse todos estes males que o cigarro traz ao fumante, ele é destrutivo também aos que convivem passivamente com ele. Por dia, pelo menos sete pessoas não fumantes acabam morrendo por doenças causadas pela exposição passiva à fumaça do cigarro. Esse dado se refere à pesquisa realizada pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) e pelo IFRJ (Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Tal número foi estimado segundo a proporção de óbitos, considerando apenas as três principais doenças relacionadas ao tabagismo passivo: câncer do pulmão, doenças isquêmicos do coração e acidentes vasculares cerebrais.

Tratamentos para parar de fumar

Atualmente existem medicações com bons resultados para lidar com os sintomas da dependência física. São, terapia de reposição de nicotina e os antidepressivos.

A reposição de nicotina funciona como um substituto do cigarro. Deixa o organismo com doses cada vez menores da droga, reduzindo os sintomas físicos de abstinência sem expor o fumante aos efeitos nocivos dos outros componentes do tabaco. As modalidades de reposição de nicotina mais usadas são os adesivos e a goma. Adesivos fornecem uma quantidade fixa de nicotina através da pele. Conforme o tratamento progride, são usadas doses decrescentes de nicotina a cada dia. O adesivo deve ser aplicado em uma área de pele limpa e sem pelos no período da manhã. Sua duração é de 24 horas.

As gomas tem um início de ação rápido, liberando nicotina que é absorvida pela mucosa oral. Deve ser mascada até se tornar apimentada. Então colocada entre a gengiva e a bochecha por um período de 2 minutos até ser mascada de novo. Esse processo deve ser repetido durante 20 a 30 minutos. A goma pode ser usada a cada hora como única terapia, ou combinada com o adesivo, para ajudar nos momentos de fissura.

Os antidepressivos são drogas que atuam diretamente nos neurotransmissores de nosso Sistema Nervoso Central causando aumento no tônus psíquico e conseqüente melhora no humor, isto acaba por suprir os efeitos da abstinência à nicotina e o desejo obsessivo pelo fumo, oferecendo uma sensação física de prazer e bem estar. Atualmente o antidepressivo mais utilizado para o tratamento antitabagismo é a Bupropiona.

Todo tratamento só deve ser iniciado após orientação e acompanhamento médico.